Monday, September 28, 2009

Da vida, da morte e dos fios que nos seguram aqui...

A vida tá sempre por um fio... Vive-se hoje, amanhã? quem sabe... Pra morrer, basta tá vivo...

E não tem fórmula mágica, nem filosofia que prolongue sua estadia por aqui... Uma dia, de repente, você vai...

Dietas saudáveis, exercícios regulares, vida tranquila, não lhe salvarão de ser o próximo da lista, se assim tiver de ser...

Uma doença fatal, um acidente qualquer, um mal súbito... E em uma fração de segundo FOI-SE... Você já era... MORREU!!!

Não tem idde, cor da pele, ou situação financeira... A morte é a mais democrática das instituições!!!

Por isso eu prefiro viver assim, impetuosamente... visceralmente... me entregar... sofrer, sorrir... ser feliz, estar triste!!! Experimentar a totalidade de cada um dos extremos: ser santa, ser puta; ser boa, ser má; ser esperta, ser burra; beijar, morder; sorrir, chorar!!!

Amo e odeio com a mesma intensidade, num intervalo tão curto que nem dá pra entender como um sentimento se transformou no outro... O tempo urge... E eu quero sentir de tudo... Experimentar todos os petiscos da mesa!!!

É assim que gosto de viver: DE COM FORÇA"!!!

Respeitando as mesmas regras que muitas vezes quebro... Minha ânsia é poder dizer, na hora que chgar minha vez: VIVI TOTALMENTE!!! Preciso apenas da certeza de que nesse dia eu não terei um só minuto não vivido, uma só história mal-resolvida, um só pedido de perdão pendente que me prendam a este mundo... Quero partir sem lamentar...

E que se danem os que se travam diante da vida, sob o pretenso véu da virtude e da moralidade... danem-se os medíocres e os temerários!!!

É um tênue fio o que nos segura aqui... E esse fio se partirá pra todos nós, pra cada um de nós um dia... Cedo ou tarde!!! E quando o meu dia chegar, quero ir FELIZ!!!

E aí, cabe aos amigos fazer cumprir o meu mais profundo desejo:

que minhas vísceras salvem quantas vidas puderem salvar...

e que a minha carcaça presencie um último momento de boemia.

Ao redor do meu caixão eu quero 3 violões e a voz doce daqueles que amo entoando as músicas que eu gostava de ouvir e cantar... E quero cerveja gelada e uma caipirinha que, com certeza, não será tão boa quanto a que faço... E quero risos histéricos de felicidade, porque eu adoro gente feliz perto de mim... Mas também quero lágrimas de saudade, porque sei que vou fazer falta!!!

Adeus dito, eu parto... Sem lamentos, sem penas, sem amarras!!!

Monday, September 14, 2009

De anjos e de demônios...

O ser humano não é linear... tampouco totalmente coerente... O paradoxo, a dualidade, a incoerência fazem parte da natureza humana... Assim não existe ninguém só bom... nem ninguém só mau!!!

E foi seguindo esse raciocínio que eu aprendi a ter medo!!!

Eu tenho medo de quem monta um personagem e encena ele diariamente, o dia todo!!! E é fácil identificar gente assim: um personagem tem sempre atitudes muito lineares e calculadas... Ele escolhe uma linha de ação e segue nela sem se perder... Normalmente repete frases prontas, de efeito e normalmente não se contradiz!! Quanto mais competente for o indivíduo, mais fortes essas características se mostrarão...

De todos os personagens escolhidos pelas pessoas falsas, o do "bonzinho" é o que mais me incomoda!!!

Sim, eu tenho MUITO medo de gente boazinha... Eu prefiro conhecer teu lado mau (sim, porque todos nós somos anjos e demônios, depende apenas da ocasião) do que não saber o que posso esperar de você... E quem monta um personagem só bom, me sugere que tem maldade demais pra disfarçar... E quando um demônio se veste de anjo, até Deus se deixa confundir...

O bonzinho demais é sedutor... muito sedutor... Quem não quer estar ao lado de alguém que só tem palavras doces e sorrisos pra compartilhar? Quem não quer ouvir o tempo todo elogios e incentivos? Quem não quer ser paparicado e acariciado 24 horas por dia? Ah, e o "bonzinho" sabe eatamente o que dizer e quando dizer... Ele, normalmente, seduz pra usar...

Mas se você é um bom observador, perceba... Sim, o "bonzinho" é humano, ele vacila vez por outra... basta estar atento... Se você acompanhar um bonzinho de perto, vai ver que ele deixa o personagem de lado se não precisa de você... Os sorrisos e elogios se acabam se ele não precisa dos seus préstimos ou se você não tem nada a oferecer... Ele troca de foco conforme seja a oferta de benfeitorias...

O "bonzinho" é como uma sereia, que com sua música e beleza leva o marujo à morte... E o pobre nem se dá conta, a não ser quando já é tarde demais...

Eu não consigo suportar gente assim... Nem consigo fingir que não estou vendo a farsa... Por isso, prefiro mesmo me afastar... ficar bem longe... E é exatamente o que vou fazer agora!!!

Thursday, March 12, 2009

Eu te excomungo...

Não se fala em outra coisa: o arcebispo de Olinda e Recife excomungou uma menina de 9 anos que era estuprada pelo padrasto desde os 6, tendo dele engravidado (gêmeos, em uma gravidez de altíssimo risco) e todos aqueles que a ajudaram a sobreviver (fazendo um aborto). Para tornar ainda mais nefasta a atuação do dito religioso, o danado teve a audácia de falar que um estupro é crime, mas é um crime menor que o aborto... tsc tsc...

Bom, nisso tudo, a única coisa que me surpreende, de fato, é a surpresa das pessoas...

Eu sou cristã e fui criada numa família tradicionalmente católica... Frequentei a igreja até a adolescência... Até começar a aprender que aquilo tudo era humano demais e divino de menos... Que naquela igreja eu encontraria qualquer coisa, menos Deus... Daí mudei meu rumo...

Por que digo isso? O que vocês querem que eu diga de uma igreja que queimava em fogueiras mulheres inocentes pelo simples fato delas possuírem mais conhecimento sobre unguentos, chás, emplastros e outras cositas feitas com plantas e que curavam - numa época em que curar era difícil demais - só porque os da igreja não detinham o mesmo conhecimento? O que dizer de uma igreja que queimou homens pelo simples fato destes pensarem com suas próprias mentes? Igreja que perseguiu judeus e muçulmanos por terem convicções religiosas diferentes? Igreja que matou milhares de protestantes para não ser contradita? Igreja que alimentou a miséria e a ignorância humana só pra garantir a si mesma um poder tão mundano quanto tudo o mais que há dentro dela?

Sim, até creio que há dentro da igreja pessoas de bem... Há delas em toda parte... Mas nem são maioria...

Uma igreja engessada que nunca conseguiu, de fato, assumir os grandes crimes que cometeu, muito menos se arrepender deles... Uma igreja tão criminosa quanto qualquer ditadura, e todos condenam as ditaduras... Igreja que matou tanto quanto Hitler e muito mais do que os nossos militares...

O que vocês esperavam, então, de tal instituição? Tolerância? Humanidade? Amor pelo próximo? Solidariedade?

Ahhhh... Façam suas malas, meus amigos, e venham viver comigo no "reino das ilusões perdidas"...

E tem mais... Seu bispo de merda, EU te excomungo!!!!

Saturday, July 19, 2008

A era do gelo...

As pessoas estão cada dia mais distantes umas das outras... Cada dia mais frias e mais desinteressadas do que acontece com o seu "próximo"...

Sim, isso se aplica a mim também... Eu, que sempre fui uma pessoa calorosa e amigável, me descubro dia-a-dia mais e mais evasiva e fechada... Pra que se tenha uma idéia, eu moro em meu apartamento há 7 meses e, sequer, sei o nome de minha vizinha de porta... Cumprimento meus vizinhos, quando os encontro, assim:

- Bom dia, vizinho... Bom dia, vizinha!!!

E penso cá com meus botões: pra que saber o nome deles? Vizinho só traz problema... Melhor ficar cada um na sua!!!

Tem sido complicado até mesmo fazer novas amizades... Tenho dificuldade de confiar nas pessoas, de deixá-las chegar mais perto!!! E eu nunca fui assim...

E foi pensando em mim mesma que eu descobri que estamos entrando em mais uma era do gelo!!! Hoje em dia as pessoas racionalizam demais suas relações com os outros e com o mundo (eu inclusive)... Assim toda e qualquer mágoa ou decepção ou frustração vira uma sequela pra vida toda... E daí um muro começa a ser construído ao redor de cada um... E lá dentro dos limites do muro começa a nevar...

O muro em torno de mim mesma já tá tão grande, mais tão grande que pode até ser visto por satélite... E o povo, quando o vê pensa que é a muralha da China... tsc tsc...

Thursday, June 19, 2008

Ser ou não ser humano...

Uma amiga tava reclamando da violência urbana e comentando que tudo era mais tranquilo antigamente... As pessoas eram mais HUMANAS...

Mas, penso eu - sim, às vezes, eu penso - que a crueldade, a maldade, a insensatez não são sentimentos negadores da condição de ser humano. Ao contrário, são inerentes à ela?

Quer prova disso? Vamos olhar pra trás e voltar na história até os tempos mais remotos.

A violência imperava entre os pré-históricos.Na falta da palavra dita, uma porrada resolvia qualquer impasse. Matar era tão comum quanto comer...

Mais adiante, nos Impérios que se formaram ao fim da pré-história, a coisa mudou só um pouco. Massacres, guerras, infanticídio, escravidão... Tudo muito natural para mesopotâmicos, persas, hebreus, egípcios, gregos, romanos, macedônicos e bárbaros em geral...

Na Idade Média,então, a coisa ficou feia... As pessoas se divertiam assistindo ao assassinato de outras em plena praça pública. Nem importava se os infelizes seriam enforcados, degolados, estripados ou queimados em uma fogueira...

A modernidade não foi menos cruenta... Guerras, invasões, chacinas colonizatórias, mais escravidão... E eu pergunto: o que mudou hoje em dia? NADA!!!

Ou quase nada... A civilidade, as culpas impostas pela religiosidade são reguladores muito competentes... mas, apenas nos fazem querer controlar nossos instintos naturais...

E aí, a gente tem que se render ao óbvio: a bondade, a delicadeza, a solidariedade, o fino trato são atributos de civilização e não características intrinsecamente humanas!! E quando os Aparelhos de Controle civilizatórios não funcionam muito bem, o ser HUMANO acaba por mostrar sua verdadeira face... E ela não é nada bela!!!

Wednesday, June 18, 2008

De amor e de outras mazelas...

Morrer de amor era o sonho que eu tinha no início de minha juventude. Eu vivia repetindo: quero morrer de tuberculose, sofrendo por um amor impossível e ouvindo um samba do Noel - o Rosa!

Daí que os anos passaram... Amores vieram, amores se foram e eu sobrevivi... Apesar de todos os sambas do noel que baixei no meu MP3, a tuberculose nunca me pegou - thanks God!!! E, então, eu descobri que morrer de amor não tá com nada... Byron que me perdoe, mas amor bom é aquele que é possível!!!

E quando os devaneios ultraromânticos são superados, inevitavelmente, a imagem que se tem do amor muda!!

Eu que sonhava com paixões arrebatadoras que redundariam em amores insuperáveis, sentimentos superlativos que me manteriam num redemoinho de sensações que jamais cessariam de me revolver a alma, hoje acredito tanto na possibilidade de algo assim, quanto na existência de fadas e gnomos!

É quando, então, eu me dou conta do tempo perdido com platonismos e elucubrações amorosas que me levaram, por anos, do nada ao lugar nenhum. E aí percebo que tudo o que almejo é encontrar alguém que me desperte admiração, amizade e respeito! E que, além disso, goste de sexo tanto quanto eu!

Pois é, poetas já não morrem de amor e tuberculose, nem ninguém mais faz samba como o Noel... E eu... bem, acabei aprendendo a simplificar as coisas!!!

Tuesday, June 17, 2008

Eu tenho a terrível mania de achar que os outros podem ler meus pensamentos. Os maiores malentendidos que já experienciei em minha vida terminaram na "célebre" constatação: 'Não foi bem isso que eu quis dizer'... E, na maioria dos casos, não era bem isso mesmo...

O grande problema é que nós não falamos exatamente, claramente o que pensamos... É como se acreditássemos que os outros são telepatas competentíssimos que percebem nossas ondas cerebrais sem maiores dificuldades... Daí, pessoas como eu (leia-se pessoas completamente sem noção) usam a palavra com um descompromisso tão grande que acabam se metendo em enrascadas por terem, simplesmente, dito. As palavras ditas claramente, com responsabilidade e fidelidade ao que se pensa provocam menos danos... Difícil é ter tal cuidado no calor do debate...

Eu tenho tentado, juro, nos útlimos tempos, ser mais fiel aos meus pensamentos na hora de falar... O problema é que eu penso muito... e muito rápido... A fala nem sempre acompanha essa velocidade... As idéias acabam saindo pela metade... e o outro (ou os outros) ficam sem entender muito bem - custava nada eles se esforçarem um pouco pra ler meus pensamentos? - e até se assustam com certas assertivas que escorregam por minha língua!!!

E pra complicar ainda mais minha situação eu sou imensuravelmente prolixa... Palavras existem para serem jogadas ao vento... E eu as lanço!!! Terrível é olhar-se no espelho e ter que admitir: menina você fala DEMAIS!!!

Um outro exercício que tenho praticado em minha vida: calar a boca... Ando, até mesmo, pedindo aos amigos: "se eu começar a atropelar, me manda fechar a matraca..." Alguns fazem isso na boa, viu? E com uma constância que me assusta...

Pior ainda, é ter que admitir que, muitas vezes, eu tenho mesmo é preguiça de elaborar o pensamento, daí largo a primeira besteira que se parecer com o que eu "queria dizer"...

Minha sorte são meus olhos cor mel... Não fosse por eles, creio que não me sobrariam amigos nessa vida!!!