Wednesday, August 30, 2006

Gente de capa...

Eu sei que ninguém é absolutamente normal... A perfeição, além de ser uma meta inatingível, é algo muito, mas muito chato mesmo!!! Por isso respeito as doideiras das pessoas... Como dizia o poeta: "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..."

Eu mesma tenho um monte de parafuso fora do lugar... Sou cheia de manias doidas... Por isso penso que, basta que cada um respeite o outro e o limite do outro (entenda-se por outro aqui, toda e qualquer pessoa que não você mesmo...) e tá tudo bem... Pode viajar, meu velho!!! Pode curtir suas manias, seus traumas, seus medos, tudo!!!

E eu convivo com os mais diferentes tipos de maluco na boa!!!

Mas tem um tipinho que realmente me desagrada... O tal que "come arroz com ovo e arrota caviar"!!! Ai Jesus... Por mais que eu tente, esse tipo me incomoda!!! Não, não consigo conviver com 'gente de capa', como diz minha irmã...

Como assim gente de capa? Você veste uma capa linda... do tecido mais caro... toda bordada de pedrarias... que é pra todo mundo ver... mas, por baixo da capa, você usa trapos... e mora na rua... e não tem o que comer!!! Gente de capa...

Tá, é verdade que, na maioria dos casos, essas pessoas são inofensivas a todas as outras... Mas elas deixam uma sensação estrenha no meu peito... Conviver com elas é como conviver com uma fraude... A impressão de que se está num constante circo... Não, eu não consigo!!!

Claro que conheço um monte de gente assim, como qualquer um de vocês... Até porque, nessa sociedade de consumo, onde as pessoas costumam valer pelo que têm e não pelo que são, esses tipos são cada vez mais comuns...

Pessoas que criam uma realidade paralela para o mundo exterior, e que, embora tenham a geladeira vazia em casa, não deixam de ostentar para os de fora o seu sucesso absoluto, contando vantagem e mostrando o quanto são os FODAS!!!

Ah não... Glamour, pra mim rima com AUTENTICIDADE!!! E capa, eu mesma, só gosto na chuva!!!

Monday, August 14, 2006

Sobre o tempo...

Houve uma época de minha vida em que eu tinha muita pressa... Parecia mesmo que eu iria morrer amanhã... E eu precisa, então, fazer de tudo, no mínimo espaço de tempo possível...

Go fast, Baby, it's the end of the world!!!

Assim, eu me atropelava constantemente e vivia numa ansiedade de dar dó!!! Pior... Eu jamais conseguia terminar nada do que começava... e eu andava tão depressa que algumas vezes o mundo parecia lento demais pra mim!!!

Um dia eu percebi que estava indo rápido demais... tsc tsc... Foi quando caí da bicicleta... Queda feia... partiu o osso de meu braço, próximo ao cotuvelo e eu tive que operar pra por um pino... E, por causa da cirurgia, tive que parar tudo por duas semanas... Duas semanas de cama, com o braço pra cima e tomando um remedinho que dava barato - tylenol com codeína - pra suportar a dor no osso...

Não havia nada que eu pudesse fazer a não ser pensar na vida... Sozinha, longe da família e dos amigos, ou seja, sem companhia nessas 2 semanas de repouso absoluto, eu fui forçada a olhar pra dentro de mim... E percebi que eu vinha rodando em alta velocidade já havia algum tempo... e que os últimos grandes enganos que cometi, só aconteceram por causa dessa pressa infundada... Pirei... E decidi parar!!!!!

Claro, as coisas não encontram seu equilíbrio da noite pro dia, não... Você primeiro parte pro extremo oposto... Aí, então, encontra o caminho do meio...

Assim foi que eu parei... Parei tudo!!! E passei a engatinhar, como uma criança que ainda não consegue ficar de pé!!!

Agora, passado mais de um ano do acidente, me vejo seguindo sem pressa com minha vida... Andando devagar, parando a cada encruzilhada pra pensar um pouco e aprendendo a esperar diante dos sinais vermelhos (melhor do que se arriscar no meio dos carros, né?)...

Tenho tido mais tranquilidade e cometido menos erros... E já não deixo nada pela metade!!!

O tempo pra mim tomou uma nova dimensão e relógio tem trabalhado no ritmo certo... Eu já não preciso correr tanto!!! Até porque, como diz o Paulinho da Viola, "meu tempo é hoje"!!!

Tuesday, August 8, 2006

Saudades do futuro...

Vocês já sentiram falta de algo que nunca tiveram? Uma saudade assim, bem grande, que chega dói dentro do peito... Uma saudade que faz chorar, que aperta o coração como uma mão que vem de fora... Uma saudade como de filho morto... de amor perdido... de perna amputada...

Vocês já sentiram uma saudade tão absoluta que dá a impressão de vazio? Uma dormência na alma que parece irremediável...

Saudade do algo que nunca esteve aqui antes... algo que eu não conheço... um quê no meu destino que eu sei que tá me esperando, mas que eu nunca vi... ou vivi...

Pois bem... ando sentindo saudade deste tempo que ainda não veio... E que eu nem sei se virá...

Tô com saudade de meu futuro!!!

Tuesday, August 1, 2006

De fases e de fezes...

O marido de minha prima chegou em casa com novidades... Ele havia passado o dia inteiro num treinamento pago pela empresa onde ele trabalha... E no meio dos trabalhos, a psicóloga responsável pela mediação saiu com a seguinte máxima:

"Quando você faz cocô, você está dando um presente ao mundo... Está oferecendo ao exterior aquilo que vem do âmago de seu ser!!!"

Claro que todos rimos... Que poético, não? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Mas, então, passado o choque inicial, comecei a refletir sobre o assunto e cheguei à conclusão de que a moça estava certa!!! E antes dela, bem antes, Freud já havia levantado essa lebre!!!

Pois bem... Vejam só como tudo passou a fazer sentido... Tem uma linha na psicologia que defende que nós colocamos todas as tensões na região anal... Assim, enviamos pra lá todos os desejos contidos, as vontades reprimidas, e as pressões do dia-a-dia. E é por isso que são as mulheres as principais vítimas da prisão de ventre... É verdade, tem até pesquisa médica a esse respeito.

Pronto, de posse de informações tão importantes, passei a analisar minha propria vida e as diversas fases por que passei ao longo dela... E lembro perfeitamente que eu sofria de uma terrível prisão de ventre que me deixava sem ir ao banheiro por até 5 dias... Era um sofrimento sem igual... Afe... Às vezes tinha até que tomar remédio pra poder ir ao banheiro...

Porém, um dia, de repente, não mais que de repente, o problema desapareceu... Fazer cocô passou a ser a coisa mais fácil do mundo pra mim... E eu nunca havia parado pra pensar nisso até que a teoria dessa santa psicóloga entrou na minha vida...

Pois é, pessoas, minha prisão de ventre acabou-se exatamente quando iniciei em minha vida a fase do bota fora... Resolvi enfiar o pé na jaca... Passei a gritar contra tudo o que me incomodava... E acertei contas com um monte de gente... Rompi com uma cobrança antiga em minha família de que eu tinha que ser forte sempre e segurar todas as ondas e mandei às favas todas as expectativas que as pessoas tinham ao meu respeito... Resolvi me assumir, ser eu mesma, doesse a quem doesse...

Claro, isso tudo veio num processo que ainda nem finalizou, mas que já me permitiu dar adeus a um caminhão inteiro de repressões, stresses e cobranças...

Hoje me sinto mais leve... E o resultado disso é um lindo presente diário que ofereço ao mundo, sem dificuldade nenhuma!!!