Wednesday, March 23, 2005

ENDORPHINE MAKES ME HAPPY!!

Mas não é que Vancouver - vista de cima de uma biciclieta - se parece com Olinda!!! Pense numa cidade pra ter ladeira!!!

Pois bem... Percebi esta semelhança apenas nessa última semana quando comecei minha carreira de ciclista... É isso mesmo que vocês leram:

I am a cyclist!!!

Vendi o carro, que eu odiava diga-se de passagem - que carro horroroso!!!! - e agora vou pra todo canto de bike... Na verdade essa é uma prática comum por aqui, eu não sou nenhuma pioneira... A maioria de meus amigos canadenses usam a bicicleta como meio de transporte.

Quando só se anda de carro numa grande cidade você apenas conhece as ruas e avenidas principais... Portanto, perde toda a beleza, já que o mais interessante está sempre escondido nas ruas de "dentro"... E é isso que eu tenho descoberto agora!!! Pensem, além de estar me sentindo bem disposta ainda tenho conhecido paisagens lindas de Vancouver...

NOTA AOS DESINFORMADOS

Essa história toda de ciclismo... Hehehe!!! Eu sei que soa meio estranha aos ouvidos de meus amigos, já que sou uma preguiçosa confessa e as únicas atividades físicas que me interessava em praticar até bem pouco tempo atrás eram: sexo e levantamento de copo (cheio de cerveja, de preferência)!!!

Sem falar que não sou nenhuma paranóica pelo corpo perfeito... Jamais tive pretensões de ser sarada e adoro meus pneuzinhos!!!

Bem, por que então, de uma hora pra outra sou a rainha da academia?

Essa é a parte triste da história... Descobri, vivendo, que o inverno no Hemisfério Norte é deprimente... Mas é deprimente no sentido biológico da palavra!!! Ou seja, durante 6 meses inteiros (outono e inverno) o sol praticamente não aparece... O céu é sempre cinza e o vento é sempre frio... As pessoas ficam encaixotadas em suas casas e apartamentos... O máximo que fazem é ir pro escritório ou visitar os milhares de shoppings da cidade... Isso é... Saem de um caixote para o outro... Mesmo o lazer é encaixotado... Ninguém aguenta ficar na rua... As pessoas saem à noite e se trancam nos pubs enfumaçados e barulhentos...

O certo é que esse conjunto de coisas mexe com o metabolismo dos desavisados, alterando, entre outras coisas, a produção de endorfina (lembram das aulas de biologia?)... Por isso a grande incidência de depressão nas pessoas por essas bandas...

Antes de viver aqui, eu lia as estatísticas a respeito da depressão nos países desenvolvidos do Norte e reclamava... Como pode, um povo que não tem problemas sociais... Tudo cheio de depressão... Aqui no Brasil o povo morre de fome e tá aí­ feliz, feliz...

Agora eu sei que o clima é decisivo para a saúde mental das pessoas...

A falta de endorfina em meu organismo estava me deixando altamente deprê, por isso a decisão de entrar pra academia de ginástica e de trocar o carro pela bike... E não é que deu resultado mesmo... Em um mês de atividades fí­sicas meu humor é outro... Já não estou tão mal-humorada...

Então amigos... Esqueçam os clichês... Eu continuo a mesma... Não quero ser igual a Demi Moore...

E tem mais, quando acabo de fazer exercícios, costumo tomar um sorvete bem grande ou comer algo bem engordante, só pra recuperar as calorias que perdi... Afinal... preciso manter minha fama de mal!!!

Agora repitam comigo:
ENDORPHINE MAKES ME HAPPY!!!

Friday, March 11, 2005

Lilith despedaçada...

Há muito tempo eu sei de mim...
Sou inteira,
Sou só minha,
Posso tudo!

Sou fêmea;
Sou macho
Me completo...

Vou à luta...
Sou caçadora... Diana;
Sou guerreira... Valquíria;
Sou lasciva... Afrodite;
Sou rainha... Cleópatra;
Sou feiticeira... Morgana;
Sou santa... Joana;
Sou pecadora... Madalena;
Sou puta... Messalina;
Sou mulher!

Sou boa e má
Do lar... do mundo...
Filha e mãe
Amante... amiga...

Completa... Inteira... Total...

FRAGMENTO!

Percebi minha falta quando você chegou.

Agora sou metade... frágil...
Siamesa sem irmã!
Só fêmea... sem macho!

Você...
Meu par...
Meu homem...
Meu deus...
A outra metade de mim!
Encaixe perfeito da minha alma...

Já não sou minha... Sou sua!
Caçadora, guerreira, lasciva, rainha,
feiticeira, santa, pecadora, puta...
Sua mulher...

Monday, February 21, 2005

Eu e Fernão Capelo

Era de manhã e o novo sol cintilava nas rugas de um mar calmo. A dois quilômetros da costa, um barco de pesca acariciava a água. Subitamente, os gritos do Bando da Alimentação relampejaram no ar e despertaram um bando de mil gaivotas, que se lançou precipitadamente na luta pelos pedacinhos de comida. Amanhecia um novo dia de trabalho. Mas lá ao fundo, sozinho, longe do barco e da costa, Fernão Capelo Gaivota treinava. A trinta metros da superfície azul brilhante, baixou os seus pés com membranas, levantou o bico e tentou a todo custo manter suas asas numa dolorosa curva. A curva fazia com que voasse devagar, e então sua velocidade diminuiu até que o vento não fosse mais que um ligeiro sopro, e o oceano como que tivesse parado, abaixo dele. Cerrou os olhos para se concentrar melhor, susteve a respiração e forçou ... só ... mais ... um ... centímetro ... de ... curva ... Mas as penas levantaram-se em turbilhão, atrapalhou-se e caiu. Como se sabe, as gaivotas nunca se atrapalham, nunca caem. Atrapalhar-se no ar é para elas desgraça e desonra. Mas Fernão Capelo Gaivota - sem se envergonhar, abrindo outra vez as asas naquela trêmula e difícil curva, parando, parando ... e atrapalhando-se outra vez! - não era um pássaro vulgar. A maior parte das gaivotas não se preocupa em aprender mais do que os simples fatos do vôo - como ir da costa à comida e voltar. Para a maioria, o importante não é voar, mas comer. Para esta gaivota, contudo, o importante não era comer, mas voar. Antes de tudo o mais, Fernão Capelo Gaivota adorava voar ...
Introdução da primeira parte do livro "Fernão Capelo Gaivota" de Richard Bach


Ando numas de refletir sobre a essência da vida... E nessa viagem lembrei de Fernão Capelo Gaivota... O Bach, como sempre, consegue a analogia perfeita... E eu páro, como o Fernão parou, para questionar se realmente o sentido de nossa vida é voar da "costa á comida e, então, de volta à costa"?

Olhamos apenas na direção do não-ver... Mais nada... Só percebemos que nosso coração bate quando tomamos um susto ou precisamos correr pra não chegar atrasados no trabalho!!! Hehehe... Chega a dar medo sentir aquele tum, tum, tum no tórax da gente, né?

Feche os olhos agora e me responda: como está o céu hoje? Sem olhar, me diga a cor dos olhos de seu melhor amigo ou de sua melhor amiga...

O tempo passa e nós nos tornamos experts em voar da costa à comida... Fazemos tudo como manda o figurino: trabalhamos o dia inteiro... corremos atrás de tí­tulos que ornamentem nosso 'resume'... beijamos na boca... fazemos sexo... e tomamos cerveja!!!

Mas olhamos no espelho e não nos vemos... É como se aquela imagem perfeita fosse qualquer coisa, menos EU!!!

A prova disso, a prova inconteste de que nos perdemos de nós mesmos... De que esquecemos qual a real razão pra estarmos aqui é essa ânsia pela "outra parte", alma gêmea, minha metade... Parte-se do princí­pio de que não somos UM, somos a metade disso... Assim, sozinhos, estamos fritos, pois nos sentimos incompletos... Pior!!! Dificilmente encontraremos uma metade perfeita que encaixe exatamente na parte que nos foi extraída (por nós mesmos, diga-se de passagem...) O máximo que vamos conseguir é um pequeno pedaço de nós em cada uma das várias pessoas que cruzam nosso caminho... Resultado: ou nos completamos um pouco com cada uma delas, ou, ficando com apenas uma, continuaremos incompletos... Buscando em nossos parceiros nossa metade perdida... Buscando em outras pessoas, nós mesmos!!!

Epílogo desse primeiro bate-bola com Fernão... Acho que preciso encontrar em mim mesma essa metade que falta... Ou jamais serei feliz com mais ninguém... A expectativa de encontrar a mim mesma em outra pessoa, só me tem trazido decepções...

Tuesday, January 25, 2005

Chuva...

Eu sempre achei que o frio do Hemisfério Norte deixava as pessoas mais frias e distantes... Ledo engano... Não é o frio. É a chuva!!!
O frio, mesmo que seja muuuiiittttooo frio, não consegue congelar nossas almas... Ao contrário. O frio dá vontade de gente, de abraço, de amigos por perto... Dá vontade de sentar na frente da lareira ou ao redor de uma deliciosa garrafa de vinho... O frio chama beijo na boca e amor debaixo do edredon... E se tiver nevando dá vontade de ir pra rua e brincar na neve, porque neve dá saudade de ser criança... Sem falar que a neve clareia o dia e a noite... Dá uma sensação de esperança, parece que nunca vai ser escuro!!!
A chuva!!! A chuva aqui não é torrencial e passageira como a conhecemos nos trópicos... Aqui a chuva é infindável, como só ela sabe ser... Mesmo quando não chove com força, chove demais!!! Não pára nunca... Dá-nos a impressão de que Deus está triste... O dia perde a cor... A cidade perde a cor... As pessoas perdem o brilho!!! Parece que o intermitente respingar vai nos tirando a vida, pingo a pingo... As pessoas na rua não sorriem... As montanhas deixam de ser verdes... O sol desaparece...
É a chuva que entristece o Hemisfério Norte... Tenho feito muita força pra não me deixar contaminar... Mas às vezes acho que a chuva é mais forte que eu e caio numa apatia que dá dó! Passo o dia na cama, fazendo nada, além de rezar pra chuva passar... Essa chuva maldita... que enegrece o céu e a nossa alma...